Imagem capa - Reflexão: O que é ser um 'Casal' por MURILO MASCARENHAS
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Reflexão: O que é ser um 'Casal'

A todos os CASAIS, casados ou não, uma mensagem especial do avô da minha esposa, o escritor paraibano Rivaldo Rodrigues Cavalcante (in memorian) - viveu um casamento de 60 anos com sua esposa Zilda.


O Casal

Por Rivaldo Rodrigues Cavalcante


Todos os casais sabem que o começo do relacionamento é um verdadeiro mar de rosas. As conversas no início são sempre agradáveis e divertidas. No entanto, discussões sobre a relação começam a surgir com o passar do tempo. Para muitas pessoas, isso significa que o relacionamento não anda nada bem. Mas de acordo com pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, casais que discutem vivem juntos por mais tempo. Portanto, explicar o que incomoda, desabafar e discutir com o parceiro é algo normal na vida de todo casal. 


Na origem da palavra “casal” está casa e dela também deriva casamento. “Casal” é, pois, o par que se assemelha e “casar” é montar casa, mas também combinar-se, harmonizar-se. “Casar” aparece, ainda, como sinônimo de conciliar e ligar. E “casado” é quem se combinou bem, quem está ligado, unido. Passear pelo dicionário pode nos dar pistas interessantes de reflexão a respeito do verdadeiro sentido das coisas – e aqui não se trata de semântica, mas de vivência mesmo. Entre tantos significados de “casa”, porém, um chamou-me particularmente a atenção, sobretudo, em se pensando em casal: a casa é o lugar destinado ao encontro. A ideia ficou claríssima. Podemos concluir que o casal é um par que se assemelha porque um ama igualmente o outro, porque ambos desejam a felicidade. Assemelham-se no que é essencial, naquilo que os une, contudo não são iguais, mas se combinam e buscam a harmonia de suas identidades e sonhos. Parece bonita minha definição, talvez, um pouco romântica, porque – no dia-a-dia do feijão com arroz, como dizem – os sonhos se misturam com a rotina de trabalho, com a correria, com as dívidas, com a falta de tempo. Mas, voltando à definição luminosa de casa como lugar de encontro, mesmo o feijão com arroz não pode prescindir do encontro. 


O casal precisa encontrar-se para partilhar a rotina e o cansaço dela decorrente, precisa encontrar tempo para parar, para não ficar só com o peso das dívidas e, depois, das dúvidas. Mas, sem jogo de palavras, o encontro do casal que, um dia, magicamente se encontrou, acontece na contínua descoberta daquilo que também os uniu, daquilo que foi (e deve continuar sendo) a fonte do encanto que um intuiu no outro. A mídia impressa e televisiva fala muito do casal, mas não fala quase nada de fidelidade, de construção da felicidade, de amor eterno. Isso parece ter saído de moda. Não sei se saiu ou não, talvez, tenha saído apenas dos discursos “modernosos”, mas continua no fundo do coração das pessoas que não abandonaram nunca o desejo primordial de plena felicidade. Não foi por acaso que o primeiro milagre de Jesus tenha acontecido numa festa de casamento. Naquele dia, Ele não curou doentes, não expulsou maus espíritos, mas transformou água em vinho, para que a alegria de todos com a união de um casal fosse completa. E que ninguém separe os que Deus uniu pelo amor.

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Na foto ao lado: Rebeca, Vovó Zilda e Vovô Rivaldo (in memorian)/ 2012.

Foto da Capa: Murilo e Rebeca